quarta-feira, 19 de outubro de 2011

conhecer...

Mas afinal o que quer dizer este verbo?? Quando é que podemos dizer que conhecemos alguém??
Será que é quando sabemos de que cor gosta essa pessoa?? Será que é quando sabemos qual a sua comida favorita?? Será que é quando sabemos qual a musica que mais gosta?? Será que é quando sabemos qual o seu filme favorito??
Conhecer é tudo isso e muito mais. É saber ver nos olhos do outro aquilo que vai a alma. Sentir no som da sua voz a sua dor ou a sua alegria.
Conhecer também é dar-se a conhecer aos outros. Só quando permitimos aos outros que entrem no nosso mundinho, é que podemos entrar no mundo deles.
Felizmente, posso dizer que, de facto, conheço muitas pessoas. Sei os seus gostos. As  suas preferências musicais, gastronómicas e cinemáticas. Conheço o som da sua voz quando estão contentes e quando estão tristes. Sei ler os seus olhos quando as palavras não lhes saem da boca. Então surge a questão: o que chamar às pessoas que conhecemos? Conhecidos? Não me parece. Para mim, conhecidos são aqueles que sei o nome e pouco mais. Às pessoas que realmente conheço eu chamo amigos. Porque eu só me dou ao trabalho de conhecer aqueles que demonstram ter qualidades que admiro. Os seus defeitos não ignoro, simplesmente tolero. Afinal de contas todos temos defeitos.

Fragolita

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

22 de Setembro

Lembro aquela noite com todos os detalhes. Parece que foi ontem. E passou já um ano.
Naquele dia nada comi, nada bebi, apenas chorei. Não suportava mais aquela dor no peito. Queria dormir e pensar que tudo tinha sido um pesadelo. Não conseguia.Queria desaparecer. Queria ir ter com o meu fragola e com o Xavier. Foi então que peguei em todos os medicamentos que tinha e tomei-os. Um a um. Os ultimos já custaram a ingerir. Mas eu só queria desaparecer, só tinha vontade de morrer.
Graças a eles o sono chegou. Mandei uma mensagem à carla, como que uma despedida, e uma ao António. as únicas pessoas que me preocupavam eram eles. Só senti vontade de me despedir deles.
Adormeci.
Acordei passado algum tempo (não sei quanto) com o António a bater na janela e na porta do meu quarto vom uma força tal que ambas tremiam. Abri a porta e disse-lhe "Fala praí..". Deitei-me na cama. Foi aí que ele viu as embalagens vazias e perguntou-me o que tinha eu feito. Ri-me na cara dele. Ele voltou a questionar-me, embora ja soubesse a resposta, e disse para irmos ao hospital. como é lógico eu não queria, mas ele consegui convencer-me quando ligou à carla e lhe disse o que aconteceu.
E lá fui eu para o hospital de vila real.
O tratamento não podia ser pior. Para a médica e para as enfermeiras eu era um bicho. Ou pior. Levaram-me para uma sala e enfiaram-me um tubo no nariz sem qualquer cuidado ou anestesia. Vomitei a sala e a enfermeira toda. O tubo nao entrou e o procedimento foi repedido. Mais uma vez sem cuidado ou anestesia. A enfermeira estava tão danada que aplicou força tal que ele entrou logo. De tubo no nariz fui para um corredor onde ao meu lado estava uma senhora idosa que so gritava. Só me queria vir embora. Mas nem isso podia. Era necesário que o António assinasse o termo e ele recusava-se. Na altura fiquei chateada, hoje sei que ele fez o melhor. Não dormi nada. Tinha dores do nariz ao estômago. A mulher gritava. Os médicos só lá iam manda-la calar. Ela morre de madrugada. Numca tinha visto ninguém falecer. Senti-me triste.
Chegou a manhã e fui para a enfermaria. Tomei o pequeno almoço a muito custo. Comer era a última coisa que me apetecia. E lá fiquei. aguardando a chegada do psiquiatra para me dar a alta. E lá veio ele. Falou comigo e não me queria deixar vir embora com o António. Tanto insisti que lá viemos embora.
Que noite.
Foi a noite que tudo mudou.
A noite que não quero repetir.
Obrigado a todos que me ajudaram!!



Fragolita

terça-feira, 13 de setembro de 2011

12 de Setembro

Meu querido fragola.
Passaram 4 anos desde que te perdi. Recordo o dia da tua perda como se tivesse sido ontem. Ainda sinto os cheiros e ainda ouço os sons. A neide lá em casa logo de manhã. O abraço que fui a correr dar à lai.
Não queria acreditar o que, no fundo, senti a noite toda que tinha acontecido.
Fazes falta. Fazes-me falta.
Nestes 4 anos aconteceram muitas coisas das quais eu gostava que tivesses feito parte. Sei que estás sempre comigo, mas fazeres parte significaria estares lá, comigo, ao meu lado. Entrei na faculdade ( foi por 2 dias que não partilhaste comigo este momento ). Amei. Sofri. Vivi. Tirei a carta. Queimei as fitas.
Todos estes dias sem ti, foram dias incompletos. Faltava-me o meu mentor, o meu herói. Mas senti a tua presença. Não que isso me baste. Mas já significou algo.

Tua Fragolita

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

2 de Setembro de 2011

Parece que Setembro está destinado a ser um péssimo mês para mim. 
Num ano perco "O Amor" e desisto de viver. Este ano, vou para jantar fora em família e o meu querido pim e o meu guguinha vão para o hospital por causa de um idiota que não sabe conduzir. 
Não me sai da cabeça aquele momento em que me apercebo que era o carro do meu tio que tinha batido. Veio-me logo à cabeça o meu menino e o meu tio. Saio do carro e vejo o meu tio agarrado ao peito, o meu menino em choque e com a mão na cabeça. 
Depois a chegada dos bombeiros. A cara de pânico do meu guga. Três homens a imobilizarem o meu tio e a porem-no na maca. E eu ali. Impotente. Senti-me uma inútil quando a única coisa que pude fazer foi ligar ao 112. 
Dois dos meus heróis ali, a caminho do hospital. 
Estava em pânico. Queria ligar-te e ter um colo. Não consegui.
Fui ter com os meus outros dois heróis, o meu gonçalo e o meu benny.
A eles ainda podia dar carinho e apoio.
Que susto. Mas que grande susto.
Felizmente eles, como heróis que são, conseguiram vir para casa. Mas só saber que eles ficaram feridos faz-me ficar triste. Não merecem que nada lhes aconteça pois são dos melhores seres humanos que existem no mundo.
Mas vai passar. Eles vão ficar bem. Eu acredito nisso.
A vocês meus heróis. Vocês vão ficar bem.

Fragolita

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Inspirações de uma sala de cinema vazia


Todos nos, em algum momento da nossa vida, precisávamos de um castor. Algo que se atracasse a nós como se de uma parte do corpo se tratasse e nos fizesse ver o mundo de uma maneira diferente. Algo que funcionasse como uma espécie e subconsciente que nos guiasse pelos caminhos da vida. Que nos ajudasse a ter uma outra perspectiva da vida.
Quantas vezes já precisamos de uma visão geral das coisas que fosse imparcial?!? Mas aquele amigo está influenciado pelo seu receio de nos ver sofrer, por isso diz para sairmos dali. O outro amigo quer que percamos o medo de arriscar, por isso diz vai em frente. Outro amigo lembra-se de uma experiencia semelhante que resultou e, por isso, aconselha-nos a seguir o mesmo caminho para que o resultado seja semelhante. E nós ficamos sem saber o que fazer. Ainda mais confusos e com mais duvidas do que aquelas que já tínhamos.
Falo por mim. Tantas vezes desejo ter uma espécie de castor que me diga as coisas de forma 100% imparcial. Porque somos humanos e por muito verdadeira que seja a amizade, a imparcialidade perde-se quando lidamos com sentimentos. Ter uma visão imparcial acho que iria ajudar muito quando me sinto num cruzamento e não sei por que caminho seguir. Quando não sei se ando para a frente, se mudo de direcção , ou se recuo.
Ouvir a voz do coração não me vale de muito. Está demasiado machucado para querer falar. A única voz interior que tenho, a da razão, diz-me só para me afastar de tudo o que me possa vir a fazer sofrer. Por isso fico perdida. Sem saber o que fazer. Se ao menos tivesse um castor que me ajudasse a ver o mundo com os olhos de quem tudo vê de forma clara e racional. 


Fragolita

domingo, 14 de agosto de 2011

Não querias um texto????


Às  vezes não sei se as pessoas se esquecem de se despedir ou, simplesmente, se fazem de esquecidas. Preferia que se despedissem de mim. Quer seja por 2 semanas ou até um dia. Porque ao despedirem-se de nós as pessoas mostram o carinho e a saudade que dizem sentir. Ao despedirem-se de nós, as pessoas mostram que vão sentir a nossa falta, a falta da nossa companhia e de todos os momentos. Se não se despedem é porque não se importam. A saudade que possamos sentir ou a falta que nos possam fazer resume-se a um nada silencioso. Não me digam que é por não gostarem de despedidas. Porque ninguém gosta, mas isso não impede de mostrar que se sente tristeza e saudade na despedida. Quem não se despede de nós, fere o carinho que sentimos e transforma a saudade que se possa sentir numa vontade de esquecer. 

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Se o meu coração fosse uma rocha, seria, certamente, um conglomerado. Uma rocha sedimentar formada por diversos clastos unidos por um cimento. Pedaços de um coração que um dia foi um só e que hoje é um conjuntos de pedaços que se foram partido ao longo do caminho e que o amor e o carinho dos amigos e da família ajudou a colar.
Não, não estou triste. Dizer que o meu coração é um conjunto de pedaços colados não é , para mim, sinónimo de tristeza. é sinónimo de verdade e realismo. Não estou triste porque tenho o coração partido. Estou feliz porque tenho pessoas que sei que estarão sempre lá para voltar a colar vezes sem conta os pedacinhos do meu conglomerado que se vão desintegrando com a meteorização da vida.
Todos nós um dia, por diversas circunstâncias, já partimos o nosso coração. Por amor, por desilusões com pessoas que julgávamos amigas, por pessoas que perdemos, porque não alcançamos o nosso objectivo, etc.
Mas o importante, o mais importante de tudo, é que possamos aprender com cada circunstância que faz o nosso coração partir e, sobretudo, saber que temos pessoas que estarão sempre lá para colar os pedacinhos todos e fazer um coração inteiro a partir de um coração fragmentado.
A todos que colaram os pedacinho do meu coração: Obrigado!
A todos que o partiram: Obrigado! Fizeram-me crescer e aprender a contornar as vicissitudes. 

Fragolita